Neste domingo está em jogo no Equador não uma eleição presidencial mas, de certa forma, o destino do progressismo no continente.

Nota original de Nocaute

No próximo dia 2 de abril, aqui no Equador, está em disputa não só a eleição presidencial, mas também o destino da América Latina. O progressismo, depois de três derrotas seguidas na América Latina, vai enfrentar novamente aqui as forças conservadoras. E dependendo do resultado, vai acontecer ou não aqui o que a mesma direita vem dizendo, que é o fim do ciclo progressista. Por isso é tão importante a gente compreender realmente o que acontece no Equador e o está em disputa.

Os dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição no Equador são Lenin Moreno, do continuísmo do presidente Rafael Correa, e Guillermo Lasso, que representa a banca e as forças conservadoras no país. Lenin Moreno é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho de inclusão social das pessoas com deficiências físicas. Ele inclusive foi o alto comissário das Nações Unidas nomeado pelo Ban Ki-moon como a pessoa encarregada de levar a experiência do Equador para o mundo.

Aqui no Equador, Lenin Moreno implementou o projeto Manoel Espero que fez o mapeamento de todas os deficientes físicos e deu assistência legal, financeira e de saúde para que eles possam ser atendidos e inseridos tanto no mercado de trabalho como na sociedade. Dizemos que até a chegada da Revolução Cidadã, essas 450 mil pessoas era invisíveis. Por sua vez Guillermo Lasso, dono de um dos mais importantes bancos do país, foi super-ministro do ex-presidente Mahuad na época mais terrível do neoliberalismo na América Latina. Ele foi responsável pela quebra do sistema financeiro equatoriano e pela geração de quase três milhões de imigrantes aos Estados Unidos e Europa, pessoas que fugiram do país pela terrível situação econômica.

Guillermo Lasso tem como proposta de governo privatizar praticamente todas as grandes conquistas sociais da Revolução Cidadã: a Saúde e a Educação. E uma das que é mais preocupantes: a questão da segurança pública. Ele quer implementar no país um modelo muito parecido ao que Uribe fez na Colômbia, criando assim o paramilitarismo, esse fenômeno que gerou milhões de mortos na Colômbia. No caso de Lenin Moreno, ele propõe não só continuar com todo processo de inclusão econômica e social, assim como levar o país a uma mudança de matriz produtiva superando o modelo primário exportador, investindo muito fortemente na questão da inovação e produção de conhecimento e de talento humano.

Aqui no Equador aconteceram grandes debates que levaram a criar um processo internacional, a modelar o que é o progressismo na América Latina. Dois deles podemos exemplificar como foi o caso do asilo a Julian Assange, quando o presidente Rafael Correa e o Estado equatoriano enfrentaram os poderes da Europa e dos Estados Unidos, basicamente da OTAN, que pediam a sua cabeça. Assim como o presidente Correa logo no primeiro ano de mandato expulsou do Equador a base norte americana que havia no porto de Manta, que era uma base que durante a segunda invasão do Iraque tinha alguns aviões estacionados aqui no país. Eles foram até lá bombardear o Afeganistão e Iraque. Esses mesmos aviões também faziam o patrulhamento da fronteira do Equador com a Colômbia. Então, num ato de soberania o presidente Correa… Ele inclusive faz uma piada, ele dizia que permitiria que os Estado Unidos tivessem uma base aqui no Equador se os Estados Unidos permitissem instalar uma base equatoriana em Miami.

No caso da disputa da América Latina, agora concentrado aqui no Equador, Atílio Borón determinou isso como a guerra de Stalingrado, a batalha de Stalingrado. É o momento onde se consolida o projeto conservador de avançar sobre as eleições, que determinaria o fim do ciclo progressista. Ou realmente o progressismo se oxigenaria com a vitória do Lenin Moreno ajudando obviamente a reestabelecer as forças de poder aqui na América Latina. Ajudando obviamente o Brasil, a Venezuela e os demais países que têm eleições para enfrentar.

O Equador, um país tão distante do imaginário brasileiro, pode ser um referente na disputa do simbólico. Aqui no Equador as estruturas de poder, tanto empresariais como políticas, como de empresas de comunicação, foram duramente atacadas pelo presidente Correa. Aqui não houve concessão, aqui não houve acordo. Em nenhuma instância o governo da Revolução Cidadã liderado pelo presidente Rafael Correa, com muita firmeza, permitiu que essas forças que ele chamava de “partidocracia” tivessem ainda poder dentro das estruturas do Estado que de alguma maneira estavam sequestradas e não atendiam às demandas da sociedade.

É isso que é o Equador. É um país que vai além de Galápagos, um país que não faz fronteira com o Brasil mas pode se transformar, sim, num referente de soberania de um tipo de governo progressista olhando para as pessoas e que não dependa de uma articulação com a outra direita.

É isso aí. Um grande abraço a todos!

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