1º de Maio: Dilma tem medo de panela

Artigo – Dilma Rousseff e do Dia do Trabalho visão

*Amauri Chamorro

A decisão de não ir à televisão no 1º de Maio é inaceitável do ponto de vista do embate político e do direito à comunicação. Por outro lado, pelo histórico da péssima gestão comunicacional do PT e do governo Dilma, isso é totalmente compreensível.

Não usar o principal meio de comunicação do país é o resultado de uma equação que tem como componentes o amadorismo do comando da comunicação, a falta da mais básica experiência em formulação de estratégias e o medo.

Como pode ser que um governo e um partido que têm a palavra “Trabalhadores” no nome, se recuse em fazer um pronunciamento em rede nacional no 1º de Maio na TV? As únicas justificativas são o medo e a incompetência. A inépcia dos comunicadores do PT e da Presidenta é tamanha, que são incapazes de enfrentar um factoide inventado pelas empresas de comunicação e por blogueiros muito bem pagos da direita.

Talvez, os que assessoram a Presidenta usam um novo “panelaço” como desculpa pela falta do que falar no 1º de Maio. É o medo de não ter o que dizer aos trabalhadores. Afinal, foi no governo Dilma que o PL 4330/2004 foi aprovado. O cadáver PMDB está no armário do Planalto, não adianta negar, afinal Seu Cunha é do partido do Vice-Presidente.

O PT e a Presidenta precisam relembrar de que ganharam a eleição na última curva, porque o outro candidato derrapou. O enfrentamento, bem tímido por sinal, que empurrou os milhões de votos ao favor da candidata vieram no final quando a Presidenta, preguiçosamente, enfrentou Aécio. A vitória apertadinha foi mais resultado do escorregão e da repugnância do outro, do que dos méritos no time da esquerda.

A Presidenta não enfrentou absolutamente nada desde que assumiu o cargo. Ela aceitou os ruralistas para destruir o meio ambiente, os evangélicos para a comissão de direitos humanos, retalhou o orçamento da Cultura e colou um neoliberal a la FHC para a economia: por medo. Muda Mais é um endereço na web apenas, não um conceito que represente seu governo.

Agora, o medo são as panelas.

A infeliz decisão de não dar a cara na televisão tem tudo para ser um dos maiores cases de ineficiência em comunicação de um governo. É a ponta do iceberg de todas as péssimas decisões tomadas. Não adianta gritar e esbravejar com ministro por não cumprimento de uma ordem. A Presidenta não governa para seu gabinete, ela governa para o povo. Pior ainda, para um povo que quase não a elegeu.

Pensem na indignação que eu sinto como comunicador político, quando vejo os milhões de reais que o Governo Federal que se gastam em publicidade em meios como Folha, Veja e Globo e, no momento em que ela pode falar direto ao trabalhador, se aproximar, mostrar coragem em rede nacional, ela decide apenas gravar um vídeo e subir ao YouTube. Não ir à televisão neste momento talvez possa ser tratado como um caso de absoluto despreparo da Secom. Não há nenhuma justificativa técnica para não fazê-lo. Se a justificativa é política, então é mais fácil entregar a chave do Planalto de uma vez.

Senhora Presidenta, o Banco do Brasil acabou de patrocinar um evento do Lobão. Sabe o que isso custa politicamente? Provavelmente as pessoas que são parte dos 3% de votos que a diferenciaram do Aécio se sintam feitos de idiotas. Estas decisões de cunho técnico-comunicacional esclarecem o real motivo de que na manifestação do dia 13 de março, organizada pela CUT e o MST, as pessoas não defendiam Vossa Excelência, nossa Presidenta. O Governo e o PT não dão motivos para fazê-lo.